ARTIGO: Prosperidade, siga este caminho!

Confira o artigo do associado Derlan Furlan, Oficial de Justiça Avaliador Federal na Vara do Trabalho de Capão Bonito-SP, com dicas preciosas sobre finanças pessoais:

Neste texto para os amigos, será chamada a atenção para a necessidade de preparação financeira pela época em que vivemos no setor público. As regras remuneratórias e previdenciárias estão mudando rapidamente e alguns, mesmo assim, podem ser pegos em situações complicadas por falta de organização. Como não adiantaria expor tecnicamente o assunto, o que traria a sensação de distância entre o tema e o vivenciado no dia a dia na boca do caixa do supermercado, por exemplo, houve a opção pela explanação simples, eclética, até certo ponto lúdica, e sem formalidades exageradas do uso da língua em suas nuances textuais. Vamos lá, comecemos.

É de longa data, talvez dos primórdios de nossa história, a ciência de que os seres vivem ciclos que se iniciam, desenvolvem-se e têm o término, sendo esse também início de uma nova fase. Essa percepção pode ser levada a qualquer área da vida pessoal e coletiva. Categoricamente não há o que escapa dessa evolução: no momento anterior, vivenciamos informações e formamos um patamar que serve para reinício do processo, só que agora mais complexo, recomeçando o movimento e assim sucessivamente.

Antes, porém, as pessoas tinham uma percepção geral de forma gradativa, cumulativa, desse fenômeno; uma linearidade progressiva. Ficava clara a sensação de distância entre os conceitos e suas funções. Por exemplo: imaginando a construção de um prédio onde são muito bem separados cada material e o papel de cada um eles. O tijolo, o ferro, a areia, os fios elétricos etc., coisas vistas e pensadas desde a fabricação de forma separada. Hoje, não mais é assim. Agora a noção é sistêmica, o fluxo em todas as direções complementares, formando uma esfera. Prédio atual idêntico ao passado terá seu projeto de engenharia e arquitetônico iniciado, mas há um diferencial: ele é pensado de forma integral. Com isso, substancial diferença surge quando se olha nas subpartes. Não é necessário qualquer tijolo, mas o que mais se adeque à função exercida como aquele prédio. Da mesma forma o ferro, a areia e fios. Tudo será otimizado a fim de que venha à tona a “economia da engenharia”, ou seja, o melhor produto em termos não só de custo monetário, mas também em termos de impacto ambiental – para a natureza e para o homem – que cumpra o melhor resultado em termos de investimento e durabilidade. O material não é mais separado do todo que é o prédio, e o prédio também não é mais separado do todo que é o meio ambiente, nem esse é separado da nossa “nave espacial” chamada Terra. Em suma, quem hoje olha o tijolo, já não o distingue tanto do prédio, do meio ambiente, do planeta e do espaço sideral, pois na realidade total estão todos inclusos e conectados para criar uma função. Creio que aqui já há proximidade de incitar o entendimento da abstração do conceito dos ciclos e de conexão em nosso cotidiano. “Bora”, então, direcionar essa flecha ao alvo das finanças?

Essa parte introdutória é bem necessária na medida em que é preciso luz sobre a decisão de organização da vida financeira. Talvez, para alguns ainda seja necessária mais um pouquinho de abstração para, contextualmente, sacar o fio da meada do porquê de sucesso de uns e fracasso de outros. Pode-se imaginar o atravessar de uma estreita ponte entre dois penhascos, onde de um lado está o espaço conhecido e confortável e, de outro, terras desconhecidas, mas cheia de ótimas surpresas, mas precisando de um mapa para ali se direcionar. Pode-se, também e já que a luz foi lembrada, imaginar-se entrando num quarto escuro e acendendo a lâmpada para se localizar e agir adequadamente, em vez de tropeçar, machucar-se, não achar o que se procura etc. Ligando essas situações hipotéticas à ideia concreta de finanças, bingo! Uma pulga atrás da orelha começa a coçar. Nesse momento, de duas uma, ou a pessoa se nega a enxergar o óbvio (situação conhecida como dissonância cognitiva), ou ela chega à conclusão de que a questão é muito mais psicológica que propriamente de matemática ou contabilidade (situação conhecida como salto de compreensão). Aqui, antes da retomada, cabe relembrar que tudo é sistêmico, como vimos no início. Tenhamos isso sempre em mente.
Nesse momento, progridamos um pouco mais. Deixemos de lado o verbo em terceira pessoa para nos aproximarmos à ideia de responsabilidade pessoal. Vamos nos colocar no centro, onde sempre estivemos, mas muitas vezes, negamos. Saiamos assim da abstração total e sigamos para conceitos um pouco mais concretos, apesar de ainda misturados com a emoção, ou seja, sigamos para uma “abstração parcial”. É preciso honestidade e entender os motivos que nos levam a algumas situações sobre dinheiro. Vamos aos exemplos não taxativos: a) dificuldade no bom uso do que “sobra”; b) nunca “sobra”; c) sempre “sobra” menos que o almejado; ou ainda, o que é pior, d) sempre se está negativo. Acredita que há outra alternativa péssima a ser lembrada? Pois é… e) falta de generosidade.

Agora, invocando um pouquinho de paciência, coloquemos o foco num armário ao lado da cama naquele quarto em que acendemos a luz, mais precisamente na gaveta do meio, aquela com a etiqueta INVESTIMENTOS FINANCEIROS. Vamos abri-la e conhecer das novidades. (Cuidado! Como tudo é sistêmico, essa gaveta aí se comunica com todos os outros móveis e objetos que há no quarto. Mexendo em um, outros se justapõem. O alerta é exatamente para ficar atento na maravilha que ocorre a olhos vistos). De forma surpreendente, encontramos alguns objetos dentro da caixa dourada em forma de cubo: Um mapa, uma bússola, uma lupa, uma chave universal e até um broche de borboleta, tudo sugestionando utilização. Mapa aberto, aqueles objetos utilizados, traçamos o caminho com facilidade rumo à realidade e suas regras puramente concretas.
Dinheiro é uma ideia, ele não existe por si só. Foi criado para dar versatilidade às trocas de mercadorias que suprem as necessidades distintas das pessoas. Antes, havia a regra do lastro, ou seja, o país imprimia o papel moeda na mesma proporção do seu estoque de ouro. Hoje, não existe isso, pois o dinheiro tem seu valor na confiança do receptor em relação à capacidade de produção do emissor; em outras palavras, em relação à capacidade de produção de riqueza atual e futura do emissor. Ultimamente, inclusive, dinheiro está mais para números expressos em computadores e celulares, conforme verificamos o saldo da conta bancária destinando-o a transações na rede. A utilização da moeda física em si é cada vez menor. Nesse simples parágrafo temos conceitos cujo entendimento faria a pessoa melhorar de vida rapidamente, caso esteja precisando: a) Riqueza gerada é CRÉDITO e a riqueza a ser gerada, se utilizada, é DÍVIDA; b) por consequência, o cartão de crédito deveria se chamar “cartão de dívida”, o crédito que a pessoa tem na praça é, na verdade, dívida a ser contraída; c) o consumidor pode ser um “escravo atual” e seu custo para o sistema é infinitamente menor ao do escravo da antiguidade – é preciso proteção em relação ao consumismo e, exemplificando, atribuir a cada um sob nossa influência direta a responsabilidade pela própria subsistência; d) o que enriquece a pessoa não é a especulação, mas sim o valor de sua mais-valia, o que ela faz em seu tempo que agrega valor à sociedade, ao mercado, à necessidade das outras pessoas etc.

Olhando ao redor, vemos parentes, amigos, colegas em situações financeiras diversas. Existem os extremos, com alguns muito pobres e sempre necessitados e, de outra monta, pessoas ricas e abastadas. Também existem as que estão no meio termo, suprem suas necessidades básicas normalmente, sem ganhos monetários excessivos, sem dívidas impagáveis, realizando alguns planos de imediato e deixando outros para o futuro quando o planejamento permitir. O que diferencia as pessoas e grupos que se inserem são diversos fatores pessoais e sociais. Não é a intenção aqui analisar a particularidade desses fatores e seus pesos, tampouco adentrar a questões de crenças religiosas, misticismos, ou até mesmo limitações físicas e mentais, por exemplo. Estamos colocando no foco o ser humano comum. É uma tentativa de raciocínio mediano, podendo ser adequado para cá, ou para lá, conforme o colega use as lentes de sua realidade pessoal. Sem sombra de dúvida, com chances mínimas de erro, podemos indicar que a harmonia financeira é mais presente naquele ser que vê a realidade e a interpreta corretamente, sem distorções, sem motivos e desculpas para acreditar que seja diferente do que realmente é. Por exemplo: se na matemática estudada desde sempre traz fórmulas cuja incógnita TEMPO é utilizada, exercendo influência direta no resultado, por que é tão difícil aceitarmos isso na vida fora do caderno? Se são precisos seis meses, doze meses, vinte e quatro meses, para termos a riqueza acumulada “x” para termos o veículo de custo “y”, por que vamos contra a regra matemática direta e queremos, antes de gerar a riqueza, antecipar a posse do veículo para agora, pagando “2y” no empréstimo? Veja, precisamos novamente separar os conceitos. Caso esteja pagando um bem de consumo com o trabalho, o exposto acima deve ser observado se desejamos ou não ser inseridos em grupo diferente, mais próspero. Agora, se não é o meu trabalho que está pagando, mas os frutos do já produzido, então talvez seja o momento de abrir exceções para ter uma vida saudável, equilibrada e não só de avarezas, pois é o milagre dos juros compostos que estão me oferecendo aquele mimo. Conclusão sobre a situação contábil: é preciso saber de onde viemos, onde estamos e para onde queremos ir! (Lembra? Temos o mapa, a lupa, a bússola, tudo para nos ajudar.)

Em todo esse contexto, o que podemos fazer com eventual sobra do mês? Pode ser o décimo terceiro, o terço de férias, a gratificação natalina adiantada em janeiro etc. Um início muito bom seria não o tratar como sobra, mas sim como pagamento próprio. Sim, isso mesmo! O ideal seria a aplicação de um conceito bem flexível, qual seja: pôr na ponta do lápis todas as contas anuais, demais compromissos e detalhes da estrutura familiar, analisando grupos de utilização de numerários, como os custos imutáveis, os destinos rígidos e as aplicações flexíveis, e, por fim, estipular um valor líquido para pagamento pessoal! Esse valor será a “remuneração” para si próprio e deve ser reservado antes de qualquer outro, a primeira parcela a ser separada de sua fonte de renda geral. Muitos pensarão em irresponsabilidade, pois há boletos, mensalidades, contas e outros compromissos… Enfim, a mente pobre tomará esse caminho escuro. A mente maleável, criativa, começará a entender que houve aplicação prévia de técnicas de ciência contábil para se chegar nele. Outros logo pensam no milagre se conseguir separar algo, pois comumente tudo já é destinado aos diversos compromissos. De onde poderia sair, então? Pode ser fruto de diminuição de consumo exagerado, de readequação do padrão de vida, de realocação de valores conforme a logística e necessidades da família e realinhamento das despesas etc. Esse momento de autoavaliação é simples e há, por exemplo, diversos canais na web que podem ser vistos sobre educação financeira. O necessário é somente a postura inicial aberta a novas ideias, em vez de rechaçar de imediato. O único risco a correr é ficar onde já estamos exatamente hoje. Entendeu? Dada a largada e havendo o pagamento primeiro para si, num montante inicial flexível e sendo qualquer valor, aproveitando inclusive esses momentos de pagamento extra, sem seguir regra nenhuma de terceiros, mas montando a regra própria e conforme sua estrutura, a porta se abre e novas possibilidades surgem.

Esse texto chega ao final com a promessa cumprida de plantar uma sementinha da prosperidade. Aprendemos sobre toda abstração que traz consigo o dinheiro, não só do mercado, mas de nosso próprio interior. É falar, inclusive, sobre a necessidade de trocar, ou de aprimorar, a lente pela qual observamos o mundo e tomamos nossas decisões diárias. É nos valorizar, guardando inicialmente uma parte do produzido, a fim de utilização futura, em vez de dar de mãos beijadas todo esse excedente em forma de juro para instituições financeiras, ou em promessas de felicidade com produtos efêmeros e inócuos. É, em palavra mais alarmante, tirar a hipnose que o mercado tenta nos impor. Guardou uma parcela se pagando primeiro? Após há outras etapas, como descoberta de perfil para investir, autoconhecimento para aceitar movimentos financeiros e descobrir o grau de ansiedade e o porquê, análises sobre destinos e aportes para o dinheiro etc. Não há uma ordem engessada para essa caminhada, mas tudo é muito mais fácil quando a caminhada já começou. Desta forma, a intenção é trazer aos amigos a experiência pessoal vivenciada após algumas decisões tendo em vista a avalanche de mudanças em nosso setor. Até aqui, o desejo é de saúde e paz a todos e que tenhamos sempre equilíbrio em nossas ações.

O desejo é de um ótimo 2020 a todos!

Derlan Furlan
Oficial de Justiça Avaliador Federal na Vara do Trabalho de Capão Bonito-SP
Conselheiro Fiscal na Assojaf-15

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